
Uma animação stop-motion capturada por ultrassom — a jornada dentro do corpo. Não o exame médico, mas uma linguagem visual autoral, feita de matéria e gesto.
Não queremos reproduzir um ultrassom médico. Queremos criar uma linguagem visual autoral que evoca o ultrassom através de materiais físicos, luz transmitida e a imperfeição do feito à mão.
O personagem — um filhote que herda o ofício da cegonha de entregar a vida — atravessa mundos construídos artesanalmente. E nós os escaneamos: cada cena vira um exame, cada material vira tecido. O resultado é orgânico, denso, vivo — e impossível de nomear.
Matéria vira tecido.
Gesto vira vida.
O mundo vira exame.
Cada material foi escolhido pelo como ele lê sob o filtro. Não aplicamos o efeito no escuro — plantamos as texturas certas na cena para dirigir a leitura do ultrassom já na captura.

Gel viscoso translúcido: bolhas viram estruturas, smears viram fluido.
→ vira luminância molhada no scan
Papel vegetal e gaze backlit: fibras suaves, véu de atmosfera.
→ vira bordas nítidas + atmosfera
Fibras aleatórias — a estatística mais próxima do speckle real.
→ vira speckle orgânicoSubsurface translúcido: a sensação de pele, carne, volume interno.
→ vira densidade / corpo
Filme de sabão em fluxo contínuo — movimento vivo de membrana.
→ vira displacement / driftUsamos IA generativa para prototipar o mundo craft — estética Laika/Aardman, cada elemento um material planejado. São os frames que depois animamos e escaneamos.
Oceano de geleia translúcida + baleia de feltro.
Nuvens de algodão e gaze backlit, god rays.
Falésias de papelão facetado + suricatos.
Ferramentas: GPT Image 2 (frames craft 2K) e Seedance 2.0 (animação img-to-video). A IA é campo de prova rápido — no real, cada cena é construída fisicamente.
Cada cenário nasce craft e ganha movimento. O efeito de ultrassom entra depois — na pós refinada (05), art-directed shot a shot no Nuke, não um filtro automático.



No Nuke, a direção de arte assume: o color-flow Doppler dourado dá a ideia de vivo — veias alimentando, e o micro-distort simula o transdutor lendo o tecido. Aqui a assinatura ganha alma.
Na produção física, o ideal é construir e capturar por camadas — cenário, personagens, efeitos, fluxo — separadas. Assim cada elemento tem controle total na pós: dosar o speckle do personagem sem sujar o cenário, animar o Doppler só nos vasos, isolar a atmosfera.
Mundos de papel, gelatina e gaze — capturados isolados. Definem densidade e bordas do "tecido".
Puppets de feltro sobre armação. Passe próprio → grão orgânico e forma reconhecível preservada.
Speckle, sector, edge-echo, distort e o color-flow Doppler — cada um dosável por shot no Nuke.
Camada de "veias alimentando" pulsando — a assinatura que dá a sensação de organismo vivo.
Ferramenta entregue: um gizmo Nuke paramétrico (edge-echo · speckle · veias · sector · distort · switch de cor) — árvore de nós limpa e rotulada, pronta pra escalar do teste ao curta.